Mulher que desapareceu no RS relatou em rede social acidente que não aconteceu, diz polícia
Polícia investiga desaparecimento de três pessoas da mesma família no RS Uma das três pessoas da mesma família que está desaparecida há mais de dez dias ...
Polícia investiga desaparecimento de três pessoas da mesma família no RS Uma das três pessoas da mesma família que está desaparecida há mais de dez dias em Cachoeirinha, Região Metropolitana de Porto Alegre, Silvana Germann de Aguiar publicou uma mensagem, em 24 de janeiro, relatando ter se envolvido em um acidente na Serra, o que não aconteceu, segundo a Polícia. Desde então, ela não foi mais localizada. "O que a gente já sabe com precisão é que ela não esteve em Gramado", disse o delegado Spier, após consultar concessionárias e delegacias locais. Os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, foram procurá-la e não são vistos desde o dia 25 de janeiro. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Na primeira postagem, Silvana escreveu: "tivemos um acidente essa noite". Na segunda, informou que ficaria sem sinal por algumas horas. No dia seguinte, agradeceu às orações. "Agora é só recuperação e logo estaremos de volta." Veja imagem abaixo Desde então, a mulher não fez novas publicações nem contato com conhecidos. As mensagens enviadas a ela não são entregues. A polícia busca esclarecer com quem Silvana estava. A principal linha de investigação aponta para um crime, como homicídio ou cárcere privado. Publicações de mulher desaparecida no RS Reprodução Vídeo mostra momento em que carro da mulher é deixado na residência Um vídeo mostra o carro de Silvana entrando na garagem da casa dela às 21h28 do dia 24 de janeiro. "O carro dela, durante todo esse tempo, ficou dentro da garagem. Ele não foi utilizado desde o final de semana e a chave fica na casa. A gente ainda procura saber se era ela que havia usado esse carro [no vídeo] , o que confirma nossa tese de que ela não foi para Gramado, não viajou, ou se era algum parente que possa ter pego", relata o delegado. Pouco antes, às 20h34, a câmera flagrou a entrada de um carro vermelho no portão da residência. O veículo permanece no local por cerca de oito minutos antes de ir embora. Mais tarde, por volta de 23h30, outro automóvel chega, permanece por aproximadamente 12 minutos e, então, deixa o local. A polícia busca identificar o automóvel e ver se trata-se do mesmo nos dois horários. Câmera registra movimentação de veículos na casa de família desaparecida no RS O que já se sabe O ex-marido de Silvana registrou o sumiço dela, enquanto o desaparecimento dos idosos foi comunicado por uma sobrinha. Os três são proprietários de um pequeno mercado, que está fechado desde o dia 25. Confira o que se sabe e o que falta saber sobre o caso: Quem são os desaparecidos? Como o desaparecimento aconteceu? Qual a principal linha de investigação da polícia? Quais pistas a polícia já tem? O que dizem os envolvidos e a vizinhança? Quais os próximos passos da investigação? Quem são os desaparecidos? Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família, no bairro Anair. Descritos como queridos e tranquilos, eles são conhecidos na vizinhança. "São uns vizinhos extremamente conhecidos por todos nós. Me criei aqui. Eu não tenho nada de mal para falar deles", destaca uma mulher. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, é filha única do casal e mora nas proximidades. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e tem um filho de 9 anos, fruto de um relacionamento anterior. O menino estava com o pai no fim de semana do desaparecimento. Como o desaparecimento aconteceu? No sábado, 24 de janeiro, Silvana publicou em uma rede social que havia sofrido um acidente de trânsito enquanto retornava de Gramado, na Serra. Em seguida, postou que ficaria sem sinal e, no dia seguinte, agradeceu por orações. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato. Alertados por vizinhos sobre a postagem, Isail e Dalmira foram procurar a filha no domingo (25). Segundo o delegado Anderson Spier, titular da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos. Qual a principal linha de investigação da polícia? A Polícia Civil trata o caso como um crime e descarta a hipótese de sequestro, pois não houve nenhum pedido de resgate após mais de uma semana. As principais suspeitas são de homicídio ou cárcere privado. "Por esse tempo todo que passou, provavelmente ela [Silvana] tenha sofrido ou esteja sofrendo algum crime que não permita manter contato com a família", afirma o delegado Anderson Spier. A investigação aponta que o comportamento da família foi incomum, já que costumavam avisar sobre viagens. Quais pistas a polícia já tem? A polícia confirmou que o acidente de trânsito relatado por Silvana não aconteceu. O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou. Durante as diligências, a polícia encontrou um projétil de arma de fogo no pátio da casa de Isail e Dalmira. O objeto foi recolhido e será enviado para perícia. O que dizem os envolvidos e a vizinhança? Vizinhos relatam o bom relacionamento com a família e se dizem em choque com o desaparecimento. "Todo mundo gostava deles, muito, muito. Ele dava atenção, o senhor Aguiar dava atenção para as crianças", disse a comerciante Janete Camargo. Outra moradora, Ana Melo, lembrou da generosidade do casal: "Na hora que eu mais precisei [...] eles me envolveram". O delegado Anderson Spier reforçou que a investigação se concentra em desvendar um crime. "Já solicitamos a perícia, estamos aguardando o agendamento para fazer a perícia nos locais para procurar maiores elementos de vestígios, de sangue e outros materiais que porventura possam nos levar a alguma definição sobre o crime", afirmou. Quais os próximos passos da investigação? Para saber o paradeiro da família e a autoria e motivação do possível crime, a polícia aguarda a realização da perícia na casa de Silvana e no mercado dos pais. Os investigadores também analisam outras imagens de câmeras de segurança para identificar os veículos e as pessoas envolvidas na movimentação da noite do dia 24. Seis pessoas já foram ouvidas, e a polícia continua a colher depoimentos de familiares e vizinhos para obter mais informações que ajudem a solucionar o caso. Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil VÍDEOS: Tudo sobre o RS