Gaúcha que cursou mestrado durante enchente ganha bolsa de R$ 2 milhões nos EUA para estudar impactos da crise climática no RS
Jovem gaúcha que cursou mestrado durante enchente ganha bolsa de R$ 2 milhões nos EUA A arquiteta e urbanista Andressa Valentin, de 29 anos, natural de Sapuca...
Jovem gaúcha que cursou mestrado durante enchente ganha bolsa de R$ 2 milhões nos EUA A arquiteta e urbanista Andressa Valentin, de 29 anos, natural de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi aprovada para um PhD em Planejamento Urbano na Ohio State University, nos Estados Unidos. E tudo isso, de graça: Andressa conquistou uma bolsa de estudos integral estimada em mais de R$ 2 milhões. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A conquista pode ser ainda maior, pois Andressa ainda aguarda o resultado de outras universidades americanas. A jovem recebeu orientação do EducationUSA, rede do Departamento de Estado dos EUA para estudos no país. Filha mais nova de quatro irmãos, Andressa cresceu em um ambiente que valorizava a educação. Seu pai, principal incentivador, concluiu o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e não pôde terminar a faculdade por questões financeiras. "A educação sempre foi algo muito estimulado pela minha família, pelos meus pais, principalmente", conta Andressa. "O meu pai, de fato, ele é uma pessoa muito curiosa. Eu sempre via ele lendo coisas, se interessando por história, lendo livro, lendo jornal." O apoio paterno ia além das palavras. "Ele me auxiliou durante toda a minha trajetória. Quando eu tinha algumas aulas à noite, ele me acompanhava para garantir minha segurança. A gente não tinha muito dinheiro, mas eu tinha esse apoio moral e esse suporte nas ações da minha família, que foram essenciais", relembra. A trajetória acadêmica de Andressa começou em Sapucaia do Sul, passou pelo ensino médio em São Leopoldo e culminou na graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. "Fui abrindo um pouco as asas. Vindo para a capital, um pouco assustada, mas esse medo que eu tinha nunca foi paralisante, sabe? Ele sempre foi um estimulante", afirma. Na universidade, ela percebeu as particularidades de sua identidade. "Ser uma mulher negra tem as suas diferenças, isso é inegável. Entendo as dificuldades, mas também como isso pode ser uma potência para os meus estudos. Foi uma construção interessante, fui abrindo aos pouquinhos e indo cada vez mais longe", reflete. Foco na crise climática O foco do doutorado será o planejamento urbano e os efeitos da crise climática, tema que ganhou força após as enchentes que atingiram o RS em maio de 2024. "Na reta final do meu mestrado aconteceram as enchentes e foi impossível não pensar sobre isso. O que ficou muito claro é que os espaços que já são vulnerabilizados, onde está a maioria da população pobre, a maioria da população negra, são os espaços mais atingidos", explica. O objetivo é claro: voltar e aplicar o conhecimento adquirido. "Meu desejo realmente é ir para lá, buscar um repertório, abrir meus horizontes, mas para aplicar na realidade daqui, seja como planejadora urbana, seja como professora universitária. A gente consegue propor uma cidade que seja minimamente justa, minimamente equilibrada para todo mundo", projeta. Sonho e preparação O sonho de estudar no exterior, presente desde a adolescência, começou a se materializar quando uma amiga compartilhou uma oportunidade do EducationUSA. O apoio da rede foi fundamental para navegar no complexo processo de candidatura das universidades americanas. "Eu sabia que eu queria estudar fora, mas não sabia nem por onde começar. Eles foram essenciais", destaca. O processo exigiu dedicação intensa, conciliando a preparação com o trabalho e os estudos. "Era como se fosse um segundo emprego, basicamente". A notícia da aprovação demorou a ser processada. "Eu estava em casa, fiquei um tempo ali processando a informação, parece que não é verdade. Demorei uns dias para falar para a minha família", conta. "A ficha caiu realmente quando eu contei para eles. Foi essa sensação que o meu nome estava ali, mas era uma conquista de toda a minha família". Com a viagem para os EUA prevista para julho, Andressa aguarda os resultados de universidades do Texas e de Washington. "Vale a pena. É possível. Diria para ter paciência e para não deixar de sonhar. E diria também para confiar e construir redes de apoio, elas são essenciais. A gente não consegue nada sozinha", aconselha. Feira gratuita em Porto Alegre Para quem sonha em seguir os passos de Andressa, o EducationUSA promove a Feira EducationUSA 2026, um evento gratuito que passará por seis capitais brasileiras entre 19 e 31 de março. Mais de 60 universidades americanas participarão, apresentando programas de graduação, mestrado, doutorado e oportunidades de bolsas. Em Porto Alegre, o evento acontece no dia 28 de março, das 15h às 18h, no Hilton Porto Alegre. "A nossa missão no EducationUSA é aproximar os estudantes brasileiros da realização desse sonho, mostrando que estudar fora pode ser um caminho possível, com informação, planejamento e apoio adequado", afirma a coordenadora, Anelise Hofmann. Jovem gaúcha conquista bolsa de R$ 2 milhões para PhD nos EUA Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS