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Juiz de Pernambuco afirma ter sofrido xenofobia após não saber nome de prato típico no RS

Juiz de Pernambuco afirma ter sofrido xenofobia após não conhecer prato típico no RS O juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Tojal Dan...

Juiz de Pernambuco afirma ter sofrido xenofobia após não saber nome de prato típico no RS
Juiz de Pernambuco afirma ter sofrido xenofobia após não saber nome de prato típico no RS (Foto: Reprodução)

Juiz de Pernambuco afirma ter sofrido xenofobia após não conhecer prato típico no RS O juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Tojal Dantas Matos, natural de Aracaju (SE), afirmou nesta sexta-feira (9) ter sido vítima de xenofobia em Porto Alegre. O caso teria acontecido no restaurante de um hotel, na terça-feira (6). Tojal estava na capital gaúcha para ministrar uma palestra na Escola da Magistratura sobre violência de gênero. "A atendente gentilmente me sugeriu um prato típico, conhecido como à la minuta, que eu não conhecia. Então eu perguntei maiores detalhes para ela sobre o prato, quando eu fui interrompido por um homem que estava na mesa vizinha, que falou em tom de deboche: de que país você é, que você não conhece à lá minuta", relata Tojal. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp 🍽️ "À la minuta" é um prato tradicional do Rio Grande do Sul que lembra o que é conhecido como "Prato Feito" ou "PF" em alguns estados. É geralmente composto por arroz, feijão, salada, ovo, batata frita e algum tipo carne, costumeiramente de gado ou de frango. Segundo o juiz, ele teria dito ao homem que não teria a obrigação de ter conhecimento a cerca de um prato típico de um estado que não é o seu. Neste momento, teria passado a ser hostilizado por aquela pessoa. "Esse cidadão se levantou, se sentiu no direito de me xingar, de falar vários palavrões e ainda de me associar a um determinado grupo político, porque o momento de polarização e intolerância é imenso no nosso país." A situação aconteceu logo após o desembarque dele em Porto Alegre, na noite de terça. Francisco Tojal palestrou no Curso de Atualização para Magistrados (CAM) da Escola da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) na quarta-feira (7) à tarde, após o ocorrido. Para Tojal, a reação do homem que o confrontou tem pouco a ver com o desconhecimento sobre pratos típicos, e sim sobre suas origens. "Ficou claro pra mim que o incômodo dele não era pela comida, era pelo meu sotaque, pela minha origem. O Sul é terra de gente acolhedora, mas nenhum cidadão brasileiro deve ser hostilizado no seu próprio país por ser de onde é. Eu sou nordestino com muito orgulho. Preconceito é crime e isso não se negocia", desabafou. Ao g1, Tojal afirmou que registrou boletim de ocorrência relatando a situação. Disse que o homem era um hóspede do hotel em que estava hospedado, mas que ainda não foi identificado. Ele relata que recebeu apoio de colegas no estado, que já havia visitado o Rio Grande do Sul em outras oportunidades e nunca tinha experienciado algo parecido. "Eu não conhecia a pessoa, tinha acabado de chegar no hotel. Pelo simples fato do meu sotaque e falar daquele prato ele se sentiu no direito de destilar ódio contra mim. Vivemos uma onda de ódio e intolerância", lamenta. E nota, a Ajuris e a Escola da Ajuris manifestaram "veemente repúdio ao episódio de xenofobia" e declararam que "atitudes discriminatórias motivadas pela origem regional são inaceitáveis e incompatíveis com os valores democráticos e com o respeito à dignidade humana". (Veja nota abaixo) Juiz Francisco Tojal Dantas Matos, do Tribunal de Justiça de Pernambuco Amepe/Divulgação Quem é Francisco Tojal Francisco Tojal Dantas Matos é sergipano, natural de Aracaju. Graduou-se em Direito pela Universidade Tiradentes – Sergipe. Foi técnico judiciário (TJSE), advogado e promotor de Justiça (MPRO). Desde junho de 2012, é juiz de direito do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). É mestre em Direito Constitucional pelo IDPDF. Atualmente, é juiz da 1º Vara de família de Paulista. É membro da Coordenadoria estadual da Mulher em Situação de Violência do TJPE desde julho de 2016. É formador pela Escola Nacional da Magistratura (ENFAM) e ministra aulas e palestras sobre diversas temáticas relacionadas a gênero, acesso à justiça e direitos humanos. É membro do Comitê de Prevenção e enfrentamento ao Assédio e à discriminação do Poder Judiciário do Conselho Nacional de Justiça. Foi Presidente do Fórum Nacional de Juízes e Juízas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) no ano de 2025. Nota de repúdio "A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) e a Escola da AJURIS manifestam seu veemente repúdio ao episódio de xenofobia relatado em Porto Alegre pelo juiz de Direito Francisco Tojal Dantas Matos, do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Atitudes discriminatórias motivadas pela origem regional são inaceitáveis e incompatíveis com os valores democráticos e com o respeito à dignidade humana. Nenhuma pessoa deve ser alvo de hostilidade, constrangimento ou violência em razão de sua procedência. Diante do ocorrido, a AJURIS e a Escola da AJURIS manifestaram solidariedade e prestaram apoio integral ao magistrado, inclusive em âmbito jurídico. As instituições esperam que os fatos sejam devidamente apurados e que sejam adotadas todas as providências cabíveis. A magistratura do Rio Grande do Sul tem compromisso com a defesa dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade plural, na qual as diferenças sejam reconhecidas e respeitadas e não haja espaço para qualquer forma de preconceito. Daniel Neves Pereira — Presidente da AJURIS Clarissa Costa de Lima — Diretora da Escola da AJURIS" Nora de solidariedade do TJPE "O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) manifesta solidariedade ao juiz Francisco Tojal, que relatou ter sido vítima de hostilidade e discriminação em razão de sua origem nordestina, durante episódio ocorrido em um restaurante de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O magistrado, que integra este TJPE, encontrava-se na capital gaúcha para ministrar uma palestra sobre violência de gênero na infância e na adolescência, na Escola da Magistratura. O TJPE repudia toda e qualquer manifestação de xenofobia, preconceito ou discriminação, práticas que afrontam os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana e são incompatíveis com os valores de uma sociedade democrática. A Corte pernambucana oferece total apoio a seu magistrado e defende a devida apuração dos fatos pelas autoridades competentes, respeitados os procedimentos legais. Reforça também seu compromisso com a promoção dos direitos humanos, o respeito à diversidade e o combate a todas as formas de intolerância. O Tribunal ressalta, ainda, que a diversidade cultural e regional constitui uma das maiores riquezas do Brasil e que nenhum cidadão deve ser alvo de constrangimento ou hostilidade em razão de sua origem." VÍDEOS: Tudo sobre o RS