Em feira agropecuária, produtores demonstram apreensão com bloqueio a carne brasileira: 'A União Europeia nos pegou de surpresa'
Bloqueio de exportações para a União Europeia afeta setores de carne bovina e mel O embargo da União Europeia à carne e a produtos de origem animal do Bras...
Bloqueio de exportações para a União Europeia afeta setores de carne bovina e mel O embargo da União Europeia à carne e a produtos de origem animal do Brasil, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3), preocupa representantes do setor. Produtores ouvidos durante a Expointer, uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil, consideram que a medida pode afetar a imagem da carne brasileira no exterior, além de reduzir o mercado internacional. Com a medida, o país fica impedido de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco. O bloco europeu afirma que não há comprovação suficiente de que a produção brasileira esteja livre de medicamentos proibidos na Europa. "A União Europeia, infelizmente, nos pegou de surpresa”, afirma o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp 🔍 A UE anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui) Lauxen reforça que o mercado europeu “era quase uma credencial para as habilitações para o resto do mundo, porque é bastante exigente": "Isso nos qualificava para a busca de outros mercados também. Nós temos um produto de excelência, qualidade sanitária e um controle sanitário muito robusto, que nos faz conquistar a maior parte dos mercados em nível mundial", completa. No ano passado, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a União Europeia. As vendas ultrapassaram 92 mil toneladas de produtos bovinos e movimentaram mais de R$ 4,29 bilhões. Diante das dificuldades para exportação, os pecuaristas apostam no consumo interno e em investimentos na produção para manter a competitividade. O presidente do conselho técnico da raça Santa Gertrudis, Anderson Fernandes, defende o aumento da eficiência e da adoção de tecnologias no campo. “O produtor brasileiro enfrenta cada vez mais desafios e precisa ser mais efetivo. É necessário produzir animais mais precoces, colocar mais tecnologia no campo, produzir de maneira mais eficiente e utilizar novas tecnologias para superar esses contratempos”, afirma. Expointer, em Esteio (RS), é considerda a maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina Reprodução/RBS TV Preocupação dos produtores A pecuarista Paula Saraiva avalia que a restrição representa um obstáculo para um dos principais setores do agronegócio brasileiro. “O Brasil é um grande produtor de carne e entrega produtos de qualidade. Quando surge uma barreira que impede esse produto de avançar, fica a preocupação sobre todo o investimento realizado. É um assunto que preocupa muito os produtores de carne”, disse. Carne bovina é produto de origem animal mais vendido para a União Europeia. Arte/g1 Expointer 2026, a maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina Jefferson Botega/ Agencia RBS