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'Corredor de tornados': por que o RS é a 2ª região do mundo mais favorável ao fenômeno

Tornado atinge RS pela segunda semana consecutiva O registro de um tornado no interior de Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6), marco...

'Corredor de tornados': por que o RS é a 2ª região do mundo mais favorável ao fenômeno
'Corredor de tornados': por que o RS é a 2ª região do mundo mais favorável ao fenômeno (Foto: Reprodução)

Tornado atinge RS pela segunda semana consecutiva O registro de um tornado no interior de Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6), marcou a segunda semana consecutiva com a ocorrência do fenômeno no estado. O evento extremo, gerado durante a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical, reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade do território gaúcho a tempestades severas. Antes de Pedro Osório, municípios do Noroeste gaúcho já haviam sido atingidos por um tornado em 28 de julho. Desta vez, a instabilidade que acompanhou o fenômeno provocou rajadas de vento de até 120,4 km/h em Porto Alegre, destelhamentos e quedas de árvores. Em Montenegro, na Região Metropolitana, um motociclista de 33 anos morreu atingido por uma árvore na RS-124. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A repetição de tornados em um curto intervalo tem explicação geográfica. O Rio Grande do Sul integra o chamado corredor de tornados da América do Sul. A região é considerada a segunda mais favorável do planeta para a formação desses fenômenos, atrás apenas da área central dos Estados Unidos. Nessa faixa do continente, ocorre o choque frequente entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia e as massas de ar frio que avançam do sul. Quando os ventos mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a tempestade começa a girar, formando a coluna de ar em rotação que liga a nuvem ao solo. "Aumenta a chance de ocorrência de tornado no RS quando você tem maior contraste, uma frente quente, com instabilidade elevada", afirma o climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Eliseu Aquino. No caso desta semana, o gatilho foi a formação de um ciclone extratropical no oceano. A pressão atmosférica caiu acentuadamente, chegando a 997 hectopascais (hPa) em Pelotas. A Climatempo Meteorologia explica que valores abaixo de 1000 hPa indicam alto potencial para nuvens muito carregadas. Essa queda brusca de pressão gerou uma supercélula, uma nuvem de grande extensão com movimento giratório. Foi do prolongamento da base dessa supercélula que o funil do tornado tocou o solo no Sul do estado. O que é um tornado 🌪️ Os tornados são fenômenos atmosféricos menores, mas muito intensos. Eles surgem geralmente de tempestades severas em áreas com grandes variações de vento. A meteorologia consegue identificar quando há condições favoráveis para tempestades severas, mas ainda não é possível indicar com precisão o ponto em que um tornado vai se formar ou tocar o solo. ⛈️ Já uma supercélula é uma tempestade que apresenta uma corrente de ar em rotação no interior da nuvem. Esse tipo de formação pode gerar chuva forte, granizo, ventania e tornados. 🌀 O ciclone, por sua vez, é um sistema muito maior, formado por uma área de baixa pressão atmosférica. Ele pode contribuir para a formação de tempestades severas, mas não é um tornado gigante. Enquanto um ciclone pode ter centenas ou até mais de mil quilômetros de extensão, um tornado costuma ter algumas dezenas ou centenas de metros de largura quando toca o solo. 💥Escala: o tornado é menor e costuma atingir uma faixa estreita. Já uma tempestade ou um ciclone pode se espalhar por centenas de quilômetros. ⏱️ Duração: os tornados geralmente permanecem no solo por poucos minutos. Uma tempestade pode durar horas, enquanto um ciclone pode atuar por vários dias. 💨 Intensidade: apesar de pequeno, o tornado concentra ventos muito fortes em uma área limitada. Por isso, pode destruir uma casa e deixar outra, localizada a pouca distância, praticamente intacta. O que pode potencializar a formação do fenômeno Além da posição geográfica, o aquecimento global e fenômenos climáticos potencializam os riscos. O meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maurício Ilha de Oliveira, aponta que um ambiente mais aquecido fornece os ingredientes ideais para tempestades severas. O fenômeno El Niño também tem influência. O meteorologista da Climatempo, César Soares, acrescenta que as temperaturas mais altas do El Niño tornam os temporais mais frequentes no Sul, favorecendo a formação de tornados. 🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo. A história climática gaúcha confirma a tendência. O Atlas Digital de Desastres aponta que, desde 1991, o Rio Grande do Sul registrou ao menos 31 desastres associados a tornados. Os eventos atingiram diretamente mais de 7,6 mil pessoas e causaram cerca de R$ 68 milhões em prejuízos materiais. RS registra novo tornado pela segunda semana seguida Arte/g1 Tornado é registrado em Pedro Osório, no RS; Fenômeno atinge estado pela segunda vez em 9 dias Frederico Gatto/Imagens cedidas Tornado é registrado em Pedro Osório, no RS; Fenômeno atinge estado pela segunda vez em 9 dias Frederico Gatto/Imagens cedidas VÍDEOS: Tudo sobre o RS